Eleições municipais em outubro de 2016
Eleições municipais em outubro de 2016

As eleições constituem fundamento basilar para a alternância do poder, acontecimento, marco indelével da democracia. São os municípios a célula máster da nação e, atualmente, somam-se mais de cinco mil e seiscentos. O que devemos lastimar leitor, é o direito de reeleição assegurado nestas próximas eleições. Contrariando as regras sagradas do Iluminismo, insensível a necessidade de oxigenação da república, desapreço a transparência, no processo eleitoral, associado, no caso, a política, como a arte de promover o bem-estar da comunidade, vem ele congresso fazendo ouvido mouco ao continuísmo.

Quanto mais você alterna, muda, renova o poder, mais benefícios propicia a sociedade. De certa forma, se redime ao acabar com o malsinado processo eleitoreiro, embora, só irá acontecer pós 2016, pois, os atuais eleitos têm certo direito adquirido, o tenebroso estatuto da reeleição assegura-lhes esta prerrogativa. Entrementes, constitui direito do votante, cidadão eleitor, questionar sua legitimidade, o próprio estatuto quando foi instituído carecia de consulta e respectiva anuência dos eleitores para gozar, de fato, da inusitada prerrogativa, feita a sua revelia.

Fugindo a toda sorte de nebulosidade, senões, louvemos as eleições, sem elas, não há como assegurar o funcionamento e, mesmo, aprimorar, exorcizar, vícios próprios do continuísmo, continuísmo que, mesmo rotulado de democrático, como no poder legislativo, trama contra a república, facilitando o aparecimento de oligarquias, nelas, as familiocracias, ora, crescentes no país. O processo de reeleição vitalícia permanece intocável, assegurando ao vereador, deputado, senador, quase as mesmas regalias do feudalismo, só que, neste, a perpetuação era assegurada pelos genes, árvore genealógica, no caso do legislativo, ela se faz pela comercialização, compra e venda de votos. O eleitor, por falta de cultura política, ignora que o voto é sua arma mais poderosa, para fazer funcionar bem, o processo democrático.

Para isto, mudança radical na arte viciada de votar terá que ser feita para acabar, com o voto subserviente leniente instituindo no seu lugar, o voto consciente sapiente, para tanto, você como eleitor, unindo a tantos outros, de forma organizada, terá que pressionar tudo e a todos, porquanto, o estado, seus governantes, jamais, de livre e espontânea vontade, farão tamanha mudança, pois, seria o mesmo, que despejá-los do castelo dourado de Abrantes, para a rua da amargura. Com efeito, atitude tamanha, vem a ser, a mesma negação da vontade do filósofo alemão, Schopenhauer. Para lograr sucesso, a sociedade, de forma ordeira, terá que atuar em duas frentes: na primeira, o processo deve começar na sala de aula, investindo, com vontade soberana, em educação política, desde o curso primário à formatura, no qual os ensinamentos deverão constar de teoria e prática, nesta, o aluno exercitando, em grupo, pois, a política é, por natureza, pluralista sem desrespeito a individualidade proclamada, pela primeira vez, por Péricles, estratego da grande geração que viveu Atenas, antes e começo da guerra do Peloponeso, século V a.C.

Mas, voltando à educação política, os alunos, após as aulas teóricas, deverão ser orientados e instados a debaterem, com seus pares, fazer corrente, formar opinião, opinião majoritária, apresentar chapas, promover campanhas transparentes realizando pleitos eleições limpas, nas salas de aulas, e, assim por diante, criando amor pela política verdadeira, de modo tal que, quando formar receba dois diplomas, um da profissão que abraçou, outro de cidadão/cidadã preparada para a vida política de sua comunidade, consciente de seu papel no controle dos que são eleitos para bem governar o município, estado e país.

Procedendo, dessa forma, ou outra melhor, estará preparando com maestria, as futuras gerações de eleitores, mas, e a atual, responsável, praticante, do voto subserviente leniente? Essa que deverá votar, mesmo, com larga abstenção, usando o voto como protesto, no pleito de outubro próximo? Neste caso, sociedade eleitora votante, a justiça eleitoral tem o dever, com o fim de financiamento, das campanhas nababescas, pelas empresas jurídicas e a moralização que vem fazendo, a operação Lava Jato devassando, como no Mensalão, a vida de toda sorte de corruptos e corruptores, de melhor preparar, tanto candidatos ao pleito, como eleitores para as próximas eleições, valendo-se do horário eleitoral gratuito sublimado pela promoção de cursos de capacitação, para ambos os públicos: candidatos às eleições municipais, bem como, os eleitores.

Transcorridos quase duzentos anos de independência política, em plena aurora do terceiro milênio, custa crer que, a grande maioria de nossa gente, gente eleitora, nada saiba sobre política, na sua forma clássica, verdadeira, universal, como foi feita por Aristóteles, em seu tratado político quando aborda em: Ética a Nicomaco, a política como a arte de promover a felicidade da comunidade, em termos singelos, promover seu progresso e bem-estar. A falta de cultura geral e, associada a ela, a cultura política, constitui a causa principal de tanta cegueira na escolha dos candidatos, no lugar de usar o voto para premiar os bons governantes e, ao mesmo tempo, punir os ruins, maus, o eleitor, movido pelo conto de sereia do discurso demagógico, ludibria a si mesmo, elegendo, em sua maioria, maus gestores, raposões.

O processo errado de escolha, pelo sufrágio universal, com o perpassar do tempo, passou a ofuscar a imagem da democracia, tanto interna como lá fora, o que pode ser visto em profusão, na conjuntura atual: crescimento abaixo de zero, Inflação, gerando desemprego, remarcação de preços assolando a população mais pobre. Mais de cem mil empresas fecharam suas portas, com a malsinada crise, em sua quase totalidade, pequenos empresários, enquanto tudo isso acontece, o ajuste fiscal, equilíbrio de contas, necessário à retomada do crescimento, prossegue, em banho-maria, compasso de espera. Governantes eleitos mal preparados para governar, mergulharam o país na mais profunda crise econômica.

Melhorar nossa imagem, lá fora, em queda, constitui obrigação das instituições financeiras para arribar, sair do atoleiro, sobremodo urgente, no plano interno. Em complemento, constitui imperativo, preparar a nação para as eleições que se avizinham, influenciando a escolha de governantes comprometidos, com a transparência, progresso e bem-estar da sociedade, o que vem a ser obrigação de outra instituição – a Justiça Eleitoral – não basta criticar os eleitores, pela má escolha dos representantes, como fez, por meio da Veja, revista nacional de envergadura, o presidente do tribunal superior eleitoral, no ano passado.

Os cargos são permanentes, mas os ocupantes, fundados no principio democrático da alternância de poder, são provisórios, por isso, para marcar a sua passagem na instituição, valorizá-la, é preciso vestir a camisa, arregaçar as mangas, realizando, em ano eleitoral, como este, tal qual o ministro Joaquim Barbosa fez no STF, que ficou marcado, com o nome de “Mensalão”, punindo lobos em pele de cordeiro, e, o juiz Sergio Moro, está fazendo também com a operação “Lava Jato”, julgando e punindo corruptos e corruptores, do mais elevado escalão, a Justiça eleitoral pode fazer, mobilizando, em interação com outras instituições afins, nos estados e municípios, mobilizando as forças vivas comunitárias, nelas, candidatos e eleitores, capacitando-os tanto para o melhor exercício do voto, substituindo o voto subserviente leniente pelo voto consciente sapiente, igual promoção, terá que ser feita, com os candidatos capacitando-os, para o exercício do cargo, cumprimento do dever cívico, ético moral, a política como a arte de promover o bem de nossa gente, em sua maioria, gente sofrida.

Promover programa dessa natureza leitor é fazer história, a história da redenção deste país, gigante pela própria natureza, como se canta no hino nacional, letra do Duque de Estrada, Manoel Osório, pois, mesmo esbulhado, por corruptos e corruptores, prospera, alimentado à esperança do povo, em sua maioria, ainda, ordeira e laboriosa.

 

(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-GO, produtor rural)

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