A batalha dos jingles em 1993: O que o povo quer mudar é o regime alimentar

Campanha pelo Presidencialismo utilizou jingles com mensagem direta e simples. Este é o assunto da oitava matéria à respeito do Plebiscito sobre a forma e o sistema de governo, ocorrido em 1993.

A equipe liderada pelo publicitário Chico Santa Rita, fiel à estratégia de fugir de polêmicas devido aos desentendimentos internos dos líderes presidencialistas, evitou tratar do tema em seu jingle. Enquanto os parlamentaristas procuraram no jingle retratar o ecletismo da aliança como elemento discursivo agregador, Santa Rita e sua equipe evitaram a tentativa de fazer limonada a partir de limão. Em ritmo de samba tradicional, optou-se por conclamar o eleitor a não abrir mão do seu voto ao escolher o presidente da República.

Ainda assim, a peça presidencialista continha elementos da pregação de Brizola no programa avulso diário do PDT pelo Presidencialismo. O discurso diário do governador do Rio tratava das mazelas do país, que não seriam modificadas com a adoção do Parlamentarismo. Desta forma, o jingle dialogou com as questões levantadas pelo PDT ao abrir a peça da seguinte forma:

O que o povo quer mudar

É o regime alimentar

Que mata a gente de fome

E a crise do Brasil

Pelo que a gente viu

Só querem mudar de nome

Com a mensagem direta definida e ainda um afago no aliado avulso, o jingle citava nominalmente a forma e o sistema de governo rivais ao pregar o voto na República e no Presidencialismo. Fazia, assim, um contraponto à Monarquia (o que os parlamentaristas, por terem uma parcela de voto entre os monarquistas, evitavam fazer):

Diga não à Monarquia

E ao Parlamentarismo

Vote República

Presidencialismo

No livro Batalhas Eleitorais (Geração Editorial, 2014), Chico Santa Rita recordou que a estratégia de fazer campanha conjunta pela República e Presidencialismo permeou toda a comunicação da campanha na reta final e levou em conta a propaganda diária da frente parlamentarista. “Como os parlamentaristas matreiramente se omitiram e ninguém falava na esquecida República, que também não tinha um espaço próprio, nos últimos quinze dias tivemos de colocá-la a reboque em nossa comunicação”, afirmou no livro, fazendo referência ao slogan que remetia à campanha pelas Diretas Já, de 1984: “Diretas sempre! Vote República e Presidencialismo!”.

Uma certeza ficou: há 27 anos, os brasileiros que votaram no Plebiscito de 21 de abril de 1993 foram às urnas com uma caneta na mão e um jingle na cabeça. Seja votando “no Rei” ou na República, seja escolhendo entre o Parlamentarismo ou o Presidencialismo, não faltou motivação musical para participar da consulta.

Escute o jingle no link abaixo:

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