“Consultoria política e contexto político”, artigo de Aurízio Freitas

Por Aurízio Freitas (*)

Organizando alguns livros esses dias reencontrei algumas pérolas sobre as eleições de 1986 no Ceará, foi um momento da redemocratização que definiu muito do que vivemos ontem e ainda hoje. Especialmente destaco “A fé e a razão na política”, do professor Josênio Parente, livro que um amigo me disse ser fundamental para entender a política daquele estado, o que de fato pude conferir. Ficou-me a impressão nesse reencontro, passados alguns anos de atuação de campo, que em certa medida o local, o regional e nacional estão interligados. Ao estudar cada nível está se estudando também o todo.

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A premissa estratégica de conhecer em profundidade o ambiente (terreno) vale para onde quer que você atue, é universal. Há muitos desafios e problemas durante uma campanha em que a técnica, a criatividade e a inovação, as pesquisas eleitorais e até a experiência de campo não são suficientes para resolver se você não compreender de forma mais ampla o ambiente. O estudo do terreno entra no rol dos “estudos de gabinete” ou “desktop research”. Se estivéssemos tratando de marketing empresarial seria o equivalente a um “Sistema de Informações de Mercado”.

No campo da estratégia, a racionalidade nos diz que é preciso atuar com a soma de diversos fatores, enxergando o todo e não substituindo um fator por outro. Cada consultor político ou estrategista tem o seu método para se contextualizar de forma ampla sobre o ambiente e esse método se aprimora ao longo do tempo.

A necessidade da contextualização ampla nos diz sobretudo sobre o trabalho permanente do consultor político. Se há perspectiva de atuar em determinado local, já se adianta em buscar diversas informações.

Se em tempos de paz prepara-te para a guerra, em tempos de política prepara-te para a eleição. A propósito disso, o professor Cid Pacheco foi um criador de vários aforismos geniais, dentre eles “política é tudo aquilo que se faz entre duas eleições”. Naturalmente, eleição é política, não há independência. Ele nos fala sobre a eleição como um momento especial da política, complexo e com muitas particularidades. Já o professor Marcelo Serpa fala em duas ciências complementares, embora por vezes conflituosas: a ciência política e a ciência eleitoral. O consultor político percorre ambos os caminhos.

(*) Aurízio Freitas é Consultor Político, membro da Comissão Nacional de Transição ABCOP e editor do Eleições Brasil.

Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do portal Eleições Brasil, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.

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