1993: Na TV, presidencialistas exaltam Juscelino Kubitschek

Na quinta matéria da série sobre o Plebiscito da Forma e Sistema de Governo continuamos a análise sobre a campanha de TV.

No mesmo programa abordado no post anterior(aqui), além da dose dupla de Brizola, os demais programas tiveram outros protagonistas. A campanha oficial da frente presidencialista, fugindo completamente à polêmica aberta pelo aliado pedetista, trouxe à TV imagens da gestão do ex-presidente Juscelino Kubitschek (período 1956-1961), apontando ações como a abertura de estradas, o surgimento de fábricas de eletrodomésticos, usinas hidrelétricas e siderúrgicas, bem como montadoras de automóveis, além da construção de Brasília como capital do país. A atriz Joana Fomm apontou que os projetos da era JK (“anos dourados”, como enfatizou o programa) foram viabilizados devido à vigência do presidencialismo no Brasil.

Com direito a uma fala curta de JK, o programa lançou mão de nova estratégia discursiva a favor do Presidencialismo, relacionando-o à campanha das eleições diretas para presidente, em 1985 (Diretas Já). Joana Fomm pregou o voto no Presidencialismo e na República, para que o eleitorado pudesse escolher sempre diretamente o presidente do Brasil.

“Diretas Sempre” passava a ser o slogan da frente presidencialista. Chico Santa Rita revela que a estratégia causou preocupação na campanha parlamentarista desde então.

Se os presidencialistas (e, consequentemente, republicanos) ressuscitaram virtualmente JK como cabo eleitoral (o ex-presidente falecera em 1976), a campanha monarquista saiu do país para que o mesmo papel coubesse à Rainha Margaret II, da Dinamarca. Em uma espécie de documentário introduzido pela atriz Cissa Guimarães, o programa mostrou um país que adotara a Monarquia há mais de mil anos e contava com a Rainha desde 1972 – com popularidade de 93%, conforme pesquisa do instituto Gallup.

Os monarquistas brasileiros mostraram que tal feito decorreria, dentre outras razões, do fato de a soberana receber em audiências públicas, três vezes por semana, qualquer dinamarquês para tratar de demandas públicas. Foram apontadas ainda a ligação da Rainha com a cultura do país, com a informação de que a Dinamarca seria um dos países com maior padrão de renda do mundo, com renda per capita de US$ 26 mil (“13 vezes maior que a do Brasil”), com amparo à velhice, seguro-desemprego “e onde educação e saúde são de graça”.

Enquanto isso, no Brasil, conforme Chico Santa Rita, as pesquisas indicavam mudanças na percepção do eleitorado sobre a campanha. O instituto Gallup apontava o Presidencialismo já na liderança, com 51,8% das intenções de voto, contra 25,2% atribuídos ao Parlamentarismo. A intenção de voto a favor da República, em um mês, crescera de 54,7% para 67,9%, também segundo o Gallup. Santa Rita atribuía o fato à estratégia de colar as campanhas do Presidencialismo e da República, que culminara com o slogan “Diretas Sempre”.

A campanha se aproximava do seu final.

Veja o vídeo completo:

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