1993: Encerramento morno da campanha na TV

A seguir, a última postagem da série que resgatou o Plebiscito sobre a forma e o sistema de governo, ocorrido em 1993.  

O último programa de TV das frentes, exibido na noite de 19 de abril, foi bem mais morno que o debate realizado pela TV Bandeirantes. A frente monarquista foi a primeira a aparecer, fazendo um balanço da campanha de 50 dias, período em que se teria buscado rebater “um século de equívocos que a República nos impôs”. O programa mostrou imagens dos príncipes da família Orleans e Bragança, dentre os quais um seria escolhido Rei do Brasil pelo Congresso Nacional em caso de vitória da Monarquia. Seguiu-se uma mensagem final de Cunha Bueno e uma peça com um trecho do jingle oficial da campanha.

A mensagem final pedia aos brasileiros que, por amor às crianças, o país pudesse dar a volta por cima. “Por cima, inclusive, do que vem por aí agora”, frase que antecedeu a entrada em cena de Leonel Brizola em defesa do Presidencialismo.

No programa do PDT, o governador do Rio de Janeiro deixou de fazer críticas aos demais líderes presidencialistas e conclamou os eleitores a dar um voto “rebelde, de mudança e de transformação” em 21 de abril. Brizola centrou suas baterias contra os parlamentaristas – segundo ele, estes aguardavam que uma elevada abstenção pudesse garantir a vitória ao Parlamentarismo. Por fim, Brizola conclamou os brasileiros a construir um país melhor para filhos e netos já em 1994, para quando estava marcada a nova eleição presidencial.

A frente presidencialista trouxe os atores Milton Gonçalves e Joana Fomm caracterizando o sistema de governo como conquista da República, heroísmo da nossa história e luta dos nossos líderes. Dois deles, o senador Marco Maciel (PFL-PE), presidente da frente presidencialista, e o presidente do PMDB, Orestes Quércia, se revezaram nas falas finais. Coube a Milton Gonçalves encerrar o programa com a mensagem “Diretas Sempre: República e Presidencialismo”.

O programa do Parlamentarismo fez uma homenagem ao ex-deputado federal Ulysses Guimarães (PMDB-SP), que falecera em 1992, sem poder participar da campanha parlamentarista. O presidente da frente parlamentarista, senador José Richa (PSDB-PR), fez um resgate da trajetória de Ulysses e da sua defesa do sistema de governo.

Já o governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury (PMDB), apontava o crescimento da campanha na reta final. Mostrando convicção em uma virada em relação ao que apontavam as pesquisas de opinião pública da época, o governador afirmou que o resultado do plebiscito era imprevisível naquele momento, para em seguida alertar:

– Ou o Brasil muda agora, ou vai demorar muito tempo para termos uma oportunidade igual a esta.

Há 27 anos, a previsão de Fleury se concretizou. O resultado do Plebiscito trouxe resultados expressivos: a forma de governo vencedora foi a República, com 44,2 milhões de votos (86,6%), ficando a Monarquia com 6,8 milhões (13,4%). Já na escolha de sistema de governo, o Presidencialismo alcançou 37,1 milhões de votos (69,2%), enquanto 16,5 milhões de eleitores (30,8%) optaram pelo Parlamentarismo.

Na consulta sobre forma de governo, foram registrados 8,8 milhões de votos nulos (13,2%) e 7,03 milhões de votos em branco (10,5%) – nos dois casos, votações superiores à registrada pela Monarquia. Já na escolha do sistema de governo, a votação do Parlamentarismo foi superior à dos 9,8 milhões (14,7%) que anularam o voto, e dos 3,4 milhões (5,2%) que votaram em branco.

Para quem acreditava, no entanto, que um dos presidencialistas ocuparia o principal cargo público eletivo do país, o ano de 1994 traria uma surpresa: a vitória, no primeiro turno, do parlamentarista Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para a Presidência da República, tendo como vice o presidencialista Marco Maciel. Nomes de peso em defesa do presidencialismo um ano antes, Lula, Brizola e Quércia foram derrotados. Mas essa é outra história.

O certo é que, 27 anos depois, o plebiscito ainda gera reflexões sobre as contradições, imperfeições e características da forma e do sistema de governo vigentes no Brasil.

Confira o último programa eleitoral sobre o Plebiscito:

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